sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TOLERÂNCIA É UMA VIRTUDE DIFÍCIL

O dilema dos limites da virtude da tolerância pode resumir-se em dois princípios: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti" e "Não deixes que te façam o que não farias a outrem". O comodismo que norteia os nossos passos é o grande obstáculo para o não cumprimento desta virtude. Quantas não são as vezes que dizemos sim a um convite quando, com razão, deveríamos ter dito não, por faltar-nos a coragem de dizer que aquilo não faz parte de nosso projeto de vida.

Em se tratando dos erros alheios, a dificuldade está em delimitar aceitação dos mesmos. Pergunta-se: até que ponto devemos suportar as injúrias e violências, os agravos e os desatinos de nosso próximo? Qual é o limite? Jesus ensina-nos que devemos perdoar não sete, mas sete vezes sete, isto é, indefinidamente. É para sempre? Contudo, há um limite em que a paciência deixa de ser considerada virtude. Qual é o limite? Ainda: "O hábito de tudo tolerar pode ser fonte de inúmeros erros e perigos".

Para Kant, o respeito é o único sentimento comparável com o dever moral. Não é um sentimento "patológico" que procede da sensibilidade – como todos os outros – ou seja, da parte passiva do nosso ser. Ele procede da vontade.

Sérgio Biagi Gregório - http://www.ceismael.com.br/artigo/tolerancia-e-respeito.htm


- Quanto mais se sabe maior é o compromisso...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O que há em mim é sobretudo cansaço -

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, êle mesmo,

Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto em alguém,

Essas coisas todas -

Essas e o que falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,

Há sem dúvida quem deseje o impossível,

Há sem dúvida quem não queira nada -

Três tipos de idealistas, e eu nenhum dêles:

Porque eu amo infinitamente o finito,

Porque eu desejo impossivelmente o possível,

Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,

Ou até se não puder ser...

E o resultado?

Para êles a vida vivida ou sonhada,

Para êles o sonho sonhado ou vivido,

Para êles a média entre tudo e nada, isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,

Um supremíssimo cansaço,

Íssimo, íssimo, íssimo,

Cansaço...

(Alvaro de Campos)





- Descansar...
- Descansar de mim...!!!
- Descansar... voltar para casa... voltar para descansar... e aí, voltar a viver!!!


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Estrela - Maria Bethânia



Salve, Bethânia...!!!
A sua força me contagia e inspira...

ESTRELA
(Vander Lee)

Trem do desejo

Penetrou na noite escura
Foi abrindo sem censura
O ventre da morena terra

O orvalho vale a flor
Que nasce desse prazer
Nesse lampejo de dor
Meu canto é só pra dizer
Que tudo isso é por ti

Eu vi
Virei estrela

Uma jangada à deriva
À céu aberto
Leva aos corações despertos
A sonhar com terras livres

Veio a manhã e eu parti
Mas quando cheguei aqui
Os astros podem contar
No dia em que me perdi
Foi que aprendi a brilhar

Noturno
(Antero de Quental)


Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!



- Paz... Por que de mim se faz tão arredia??